"NÃO EXISTE NENHUM LUGAR DE CULTO FORA DO AMOR AO PRÓXIMO"

Translate

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A quem Jesus chamou de ímpio?




O que Jesus pensou quando leu o Salmo 1?

Como foi que Jesus encarnou isso?

Como ele viveu isso?

Sim, pois dizer que “o verbo se fez carne” significa que tudo que havia sido verbalizado como inspiração divina antes, foi encarnado em Jesus de Nazaré. E, lendo o salmo 1 a partir de Jesus, as perspectivas mudam, pois Ele passa a ser a chave que nos abre todos os tesouros.

Ora, ímpio (oposto de pio) é todo ser que não é capaz de exercer misericórdia.

E mais: essa estrutura ímpia está instalada nas associações religiosas. Irônica e contraditoriamente, os das tais associações acham que o ímpio é o que não segue a sua  formação religiosa, que o ímpio é o que não está no seu meio. Esse achismo já impede estes de exercerem misericórdia, pois há uma confusão instalada em suas mentes, afirmando-lhes que piedade é um esforço religioso de se comportar adequadamente. Adquirindo para si uma presunção de juízo, endurecendo-se, dando-se poder de determinar quem é ímpio pela aparência, pelas visualizações, pelo não pertencimento ao grupo enquanto, na verdade, a piedade se manifesta como exercício de misericórdia.

Na perspectiva religiosa, esse é o ímpio. O religioso torna-se moralista e, consequentemente, desprovido de capacidade de reconsiderar qualquer coisa. Cheio de juízo, acha que ímpio é quem não aceita nem segue rigorosamente sua confissão de fé.


Enfim, etimologicamente, o ímpio é aquele que é mau, que tem rigidez mas sem qualquer densidade dentro de si, que é sistemático, não volta atrás, fecha questões, não pensa diferente, suas certezas são totais; então segue adiante, gelado, esfolando, arrebentando.

Do ponto de vista histórico, como Jesus fez essa aplicação?

Como ele viveu? Quem Jesus chamou de ímpio?

Quem era o ímpio nos tempos de Jesus? Seria Zaqueu? Seria Maria Madalena? A resposta é NÃO.

A quem ele chamou de escarnecedor, de ímpio? Ao fariseu.

Onde você não vê Jesus nunca e qual a principal roda dos escarnecedores? O templo.

É no templo que eles estão. Usando descaradamente o nome de Deus, falando a mentira em nome da verdade de Deus, manipulando o nome de Deus com aquela cara lavada, toda bonitinha, toda certinha, toda arrumada, toda enquadradinha. Sua impiedade é gradativa e praticamente imperceptível; impiedade que envenena com mil disfarces. A impiedade escrachada não traz grandes perigos; esta sim, é a que mata, a que nos envenena sutilmente com todas as formatações do suposto bom conselho. Conselho que não carrega vida, não carrega reconciliações, não carrega graça, nem misericórdia, nem oportunidades; só morte e finalizações. Isso é que é falsificação da palavra de Deus.

Nesse agrupamento JESUS nunca se assentou. Ele só foi lá amarrado. Para ser julgado. Ele preferiu morrer entre dois ladrões a se assentar entre aquela curriola divina que se exalta declarando para si mesmo uma não-pecabilidade, batendo no peito e dizendo: "graças dou por não ser como os demais..."


E onde você O vê?

Você O vê nas esquinas, nas praças, no caminho, nos bares, nas noites, nos jantares, nas celebrações, nos casamentos, dando atenção a quem ninguém dava, incluindo quem estava fora, chamando pelo nome aqueles a quem não eram nomeados, socorrendo problemas do tipo “não pode acabar o vinho”.

Portanto, cuidado com as certezas dos seus conselheiros.Toma cuidado pra ver onde é que você está recebendo informações a partir das quais você alimenta sua vida. Veja se elas são fruto da misericórdia, da graça, do amor e da justiça ou se elas são produzidas pelo juízo, pelo julgamento precipitado, pela atitude de esmagamento do outro e pela incapacidade de jamais voltar atrás.

Ou seja,

Cuidado com conselheiros cheios de certezas prontas e acabadas, pois a misericórdia sempre deixa uma porta aberta. Ainda que seja pra você escapar. Uma porta estreita, apertada, que o livrará do embaraço, do problema, da aflição, da angústia, da culpa, da dor.

Bem aventurado o homem que não anda no conselho de quem não tem coração, daquele que não tem misericórdia. Pois o pior escárnio é a indiferença ante a verdade de Deus.

Para o bem aventurado o prazer está na lei do Senhor.

A lei do Senhor, para Jesus, é a GRAÇA.

Jesus nos chama para dentro de critérios imponderáveis da verdade, da justiça, do amor e da misericórdia. Em vez de aprovar o religioso certinho que cumpria regras, Jesus deu preferência àqueles que eram reprovados, invertendo parâmetros e lógicas, subvertendo aquela ordem estabelecida pela tradição religiosa transmitida pelos líderes que invalidaram a Palavra de Deus. (Marcos 7)

E, esse chamado, não é algo que se sente e também não está escrito em algum lugar. Você é tocado por ele. Isso tem a ver com entendimento que é fruto de uma consciência que está grávida de outros valores; que abre pacotes, que pergunta pela misericórdia ao final de cada coisa, que não deixa o sol se pôr sobre a ira, ou seja, não deixa o dia cair e a noite abraçar você e te ninar com amarguras. (Ele não diz para não se irar, mas para não permitir que o ocaso daquele sentimento se congele, dando lugar ao diabo).

E na Sua lei medita de dia e de noite...

Sem ter hora nem lugar para meditar pois meditação é a vida. Ai daquele que precisa de tempo e local para meditar. Meditar é existir. Existir conforme a lei da graça e não de cartilha religiosa.

Aliás, se a nossa salvação dependesse da síntese dos mandamentos estaríamos falidos. "Na lei da lei estou perdido. Na lei da graça eu estou salvo".

Aceitando a graça como lei é que somos salvos. Salvos de nós mesmos para sermos graciosos com o outro. Fazendo manutenção da graça em permanente estado de perdão, à medida que a praticamos no cotidiano com o outro. Está conquistado! Em Cristo, a gente sai liberado. Ele nos tira dos tribunais e nos traz para a consciência que nos diz: quer perdão, perdoa; quer graça, seja gracioso; quer misericórdia, seja misericordioso; quer ser compreendido, entenda. Esse é o SER que está andando debaixo da lei de Deus. Para este há ressurreição. Ainda que morto entre dois ladrões. Pois a Graça foi conquistada por Jesus na Cruz pra mim para sempre; sou chamada com convicções reforçadas, a aplicar tal manutenção junto ao meu próximo na qual recebendo favor infinitamente imerecido, fazer favor infinitamente imerecido. Esta é a lei do caminho e bem aventurado quem transforma isso, não em compreensão intelectual, mas num estado de ser.

Peçamos a Deus:

Senhor, constrói dentro de mim um ser sólido, não rígido; constrói algo denso, não pedrado; constrói em mim verdade, não moralismo; algo que esteja além da minha compreensão  e que eu não precise explicar por saber que é verdade.

Amém!

ADAPTADO

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Meu principal inimigo sou eu



Toda experiência que brota do Evangelho, primeiro nasce dentro do coração para depois se mostrar para fora! Assim são as coisas do Reino e no Reino. Talvez por isso os judeus, especialmente os religiosos, experimentaram uma grande frustração em relação a Jesus.

Isso porque toda a espiritualidade dos contemporâneos de Jesus era performática, sempre de fora para dentro e nunca algo que nascia de uma convicção do coração. Dito isto, acredito então que a nossa maior luta é a que travamos conosco.

Ora, foi Paulo quem disse que o bem que ele sabia que devia fazer, esse ele não fazia; ao contrário, o mal que ele não devia fazer, esse sim, era a pulsão mais forte do seu ser. Também os Evangelhos nos afirmam que é do coração do homem que procedem todos os males, e é Jesus quem vai dizer que não é o que entra no homem que o contamina, mas o que nasce no ser dele, ou seja, são suas motivações, é aquilo que ninguém pode ver! Lemos também nos Evangelhos: “Onde está o teu tesouro, ali estará o teu coração”, de modo que é justamente ali que habita a centralidade da vida, porque é o coração que “define” as prioridades na existência.

Portanto, a luta, antes de ser um enfrentamento externo, com demônios e feras cinematográficas, se trava nas trincheiras da alma, onde habitam os piores demônios e bestas dos seres humanos. Na verdade, para nós seria muito mais fácil lidar com realidades físicas, objetais, com geografias definidas, com circunstâncias limitadas, onde frases mágicas como: “está amarrado”, ou “eu te repreendo”, fossem suficientes para resolver nossas guerras interiores, na realidade, na maioria das vezes o que está dentro, e ninguém vê, é absurdamente mais feio e demoníaco, do que os demoniozinhos das encruzilhadas cheias de despachos.

Senhor, livra-me de mim mesmo! Essa tem sido minha oração, quando olho para dentro de mim, quando percebo, como que em flashes, as motivações que tantas vezes habitam meu coração! Ao mesmo tempo em que sei que só O Evangelho-Jesus pode me libertar. Fora disso será sempre uma tentativa infantil de esconder um rinoceronte atrás de um pé de alface; fora do Evangelho será sempre a busca angustiante de querer ser o que nunca se conseguirá ser. Fora do Evangelho desejaremos sempre tratar a existência pela via das coisas desse mundo e nunca sob a ótica de Jesus!

Senhor, salva-me de mim mesmo! Abre os meus olhos para que eu enxergue sempre com o coração. Dá-me forças para olhar para dentro de mim e enfrentar meus demônios interiores e que eles sejam vencidos pela força da Verdade do teu Evangelho. Amém!


Pedro Albuquerque

(grifos meus-RF)

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Seja crente só em Jesus.





Em meio ao mundo que é mau, porque somos maus, encontro gente de todos os tipos, mentalidades, faixas etárias, credos, culturas, traumas, vitórias, frustrações e convicções mais que pessoais.

Especializei-me em observar as atitudes, a tentar entender os motivos que levam cada pessoa a ser como é. Adoro conversar, compartilhar, desvendar a mente e ver a mental-idade em cada encontro que tenho na vida.

E a cada dia me convenço mais que a grande maioria dos evangélicos assemelham-se a qualquer outro grupo religioso, pois jamais se converteram a Jesus Cristo de Nazaré para se tornarem gente boa de Deus, mas passaram a adorar um ídolo de nome bíblia e servir a textos mortos que tão somente foram sombra dAquele que viria.

Há uma esquizofrenia na religiosidade evangélica, são dois Deuses a quem alguns destes servem. Um é o Deus Todo Poderoso, Senhor dos Exércitos de Israel, Aquele que manda invadir cidades e nações e matar homens, mulheres e crianças e queimar os despojos; o outro é o Pai de Jesus que é Amor, Graça, Bondade, Misericórdia.

Quando acusam os católicos de adorar imagens, não percebem que eles mesmos são adoradores de ídolos mudos, páginas sagradas, livro complexo que jamais leram. Suas construções mentais os fazem idólatras de deuses construídos na mente.

Sabem que Jesus Cristo disse: “Quem me vê a mim vê o Pai” (Jo 14.9) e mesmo assim ainda tentam fazer um híbrido de Jesus com o Deus dos Exércitos da Antiga Aliança. Jamais perceberam que tudo ANTES de Jesus foi tão somente sombra dEle que viria (Cl 2) e ainda não entenderam que para saber como é Deus, basta olhar para Jesus.

Com isso, não são poucas as vezes que as pessoas vêm falar comigo dizendo que fulano faz maldades e ainda diz que é crente, pratica o mal e diz que é evangélico, calunia, rouba, mente, dá falso testemunho, puxa o tapete dos colegas, enfim, é um diabinho, tem olhos de lobo e nomeia-se de ovelha.

Quando Jesus fala de escândalo, Ele se refere exatamente a isso: se dizer gente boa de Deus e praticar o mal.

Jesus não está preocupado se você bebe ou se você fuma, pois Ele mesmo disse que “não é o que entra pela boca o que contamina o homem, mas o que sai da boca” (Mt 15.11). Ele não se preocupa com esse tipo de comportamento porque para Jesus isso NÃO é escândalo. Escândalo para Jesus é ser mau e se dizer dEle. Isso é escândalo!

Escândalo para os Judeus e para os religiosos sempre esteve localizado do lado de fora, da cara para a geografia externa. E, para Jesus, escândalo começa no coração, naquilo que arquitetamos na alma, isso é escândalo para Jesus.

Ele mesmo praticou INÚMEROS escândalos para os Judeus, comeu sem lavar as mãos, curou no sábado, chamou aqueles que “estavam fazendo a obra” de raça de víboras, de túmulos enfeitadinhos que são podres por dentro e bonitinhos por fora, hipócritas, se referindo a eles como atores no palco da vida, e por aí vai...

Portanto, escandalizar para Jesus não é nada que é considerado escândalo para o mundo religioso, seja ele evangélico, judeu, católico ou muçulmano.

Por isso há tanta diferença entre ser crente de Jesus e ser crente do livro, pois os crentes do livro não olham exclusivamente para Jesus, mas para a doutrina denominacional arrancada à força do livro e em sua maioria pegam coisas que foram sombras e as ressuscitam para o presente.

Não seja religioso, creia só em Jesus, olhe só para Jesus, analise tudo através de Jesus, não engula nada sem passar pelo crivo de Jesus. Não seja evangélico, católico, espírita, muçulmano, protestante, seja tão somente discípulo de Jesus, pois só Jesus é Deus.



(Grifos meus-RF)

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A fé em Jesus não é uma religião




Jesus não fundou o Cristianismo.

O Imperador Constantino o fez.

Jesus não fundou uma Religião.

A Terceira Geração o fez.

Jesus nos chama para o Caminho, a Verdade e a Vida.

O Caminho é Ele e também passa por gente.

A Verdade é Ele, e passa pela gente, e encontra gente também fora de nós.

E a Vida é Ele, e em em-si ela é apenas nEle. Mas para todas as outras criaturas implica em relacionamento.

Portanto, quem é discípulo de Jesus é esse ser do Caminho, da Verdade e da Vida.

Não é um caminho religioso; é apenas um caminho de reconciliado com Deus, conosco mesmos, com o próximo e com a criação!

O Cristianismo é uma Religião. Assim como o Islamismo. E anda em grandes desvantagens.

Possivelmente o Cristianismo tenha se tornado a Religião menos atraente que o Ocidente e o mundo já produziram nos últimos 1700 anos — especialmente pelos “subprodutos” que ele gerou.

Honestamente, o Cristianismo é feio; eu, pelo menos, acho!

Sou discípulo de Jesus, amo a Sua Palavra, reconheço a irmandade profunda na comunhão com aqueles que discerniram o mistério de Deus em Cristo, e tenho prazer em anunciar esse Amor, bem como vivê-lo, especialmente com aqueles que também amam o mesmo Amor que a eles se revelou em Cristo.

No livro de Atos, no início, esse andar comunitário e esses que a ele pertenciam eram chamados de "os do Caminho".

Paulo diz que perseguiu "os do Caminho" e que também "perseguiu a Igreja de Deus" - portanto, os termos são equivalentes.

E, no Caminho, cada um faz o seu próprio caminho pessoal; e também o faz de modo comunal e coletivo.

O discípulo é o indivíduo.

A Igreja é a comunhão dos discípulos.

Caio Fábio

domingo, 23 de janeiro de 2011

Amigos e amigos.





Amigo de farra é que nem amigo de igreja. Ou irmão, seja lá como queira chamar – o comportamento é o mesmo.

Vamos comparar?

Os “amigos de farra” são aqueles que querem companhia para uma balada. Se você curte uma boa saída para farrear, não se preocupe, amigos não faltarão. Mas isso requer algumas considerações, pois você precisa estar bem trajado, para não fazer feio na night ou na saída diurna. Em locais como praia ou piscina você tem que estar sarado para fazer a fita. Pra facilitar tenha um bom “carango” e esteja sempre motorizado. Mas não vale qualquer tipo de automóvel, tem que ser “tunado”. Não precisa nem falar que tem que ter uma marca famosa, de preço elevado – ainda que seja falsa – estampada em alguma parte do corpo. Sem nunca esquecer que é preciso estar sempre disposto a beber, cair e levantar.

Até aqui você é quase o cara.

Vejamos entre os “irmãos” como funciona: para entrar para galera, de cara procure um ministério. Se você conseguir liderar um, então você vira rei. Seja amigo do pastor, ande com a bíblia e decore alguns versículos. Se souber tocar violão e aprender os “corinhos” mais conhecidos, a sua fama se espalha mais rápido e o seu Orkut não irá suportar de tantos amigos. O lanche depois do culto é indispensável. Mas volte para casa antes das 22h para não parecer que está desviado. Isso é perigosíssimo, você pode perder alguns amigos agindo assim. Nunca falte a um culto jovem. Fique algumas vezes do lado de fora durante o culto, conversando, e a sua rede de amigos irá pipocar. Enquanto estiver dentro do templo na hora do culto, se emocione sempre que puder. Para igrejas pentecostais não precisa de todo esse esforço que acabei de descrever. É só falar em línguas que tá tudo certo.

Posto isso, podemos agora concluir a nossa comparação:

Deixe qualquer um destes costumes citados e descubra que todos com quem você desabafou na mesa do bar ou compartilhou em encontros de oração não passam de meros conhecidos, ou melhor, de gente à procura de gente que sirva para os seus interesses. Não irão mais te ligar nem passarão mais na sua casa. E, quando olharem para você na rua, será como a um estranho. Não podem mais contar com você nas programações, você é peça fora do jogo.

Dica: continue tomando umas ou se reunindo com os irmãos. Seja o que for, não deixe sua vida social. Nunca dispense uma boa saída, um bom papo, uma balada bacana. Nessas horas também crescemos, aprendemos um bocado, e o melhor, curtimos pra caramba. Conheça sempre pessoas novas, quanto mais, melhor. Como disse Cazuza certa vez, multiplicar é melhor que somar. Mas quando puder experimente uma amizade verdadeira, sincera. Elas são como as vitaminas necessárias para o corpo humano, te fazem crescer com saúde. Valorize as que já tem; não as deixe escorregar entre os dedos da mão como a areia da praia. Seja sempre você de verdade e isso será fácil. Com as que virão pela frente, permaneça cuidadoso. As verdadeiras são as que nos colocam para frente, as que edificam.

Texto de Léo (Aniversariante do dia)


sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Nem de Paulo, nem de Apolo, nem de qualquer doutrina religiosa.



                        =











A tentativa infantil de dizer que a igreja é o Corpo de Cristo, e que dessa forma, Cristo estava agindo como antes agira só que agora em Seu Corpo Comunitário, é bela mas não é verdadeira como valor absoluto.

Ora, o Pedro que recebeu a revelação é o mesmo que recebeu a repreensão: Arreda, Satanás! (Mt 16). Aliás, leio um monte de coisas pessoais de Paulo, Pedro, João, Tiago, Barnabé e outros... E  penso: "Puxa, que bobagem!"

Vistas pelo espírito do Evangelho muitas das ações, emoções, atitudes e decisões deles são passíveis de observação em amor, como Paulo fez em relação a Pedro e Barnabé.

Lutero teve problemas com a Epístola de Tiago e brigou com ela até o fim. E negou-se a aceitá-la como totalmente inspirada. E por que? É que ele tinha em mente um valor maior do Evangelho - a salvação na Graça e pela fé - e como não conseguiu fazer a "síntese" de Tiago com o Evangelho, ele, coerentemente, deixou Tiago de fora.

Já outros - os criadores de doutrinas - "aceitam tudo" que está lá escrito, e fazem sua “teologia sistemática” acerca da Escritura, “discordando” de modo ortodoxo com tudo, deixando O EVANGELHO de fora. Em vez de dizerem "concordo" ou "não concordo"; "entendo" ou "não entendo", como fez Lutero, criaram um “Talmude Cristão”.

O que será que Jesus tinha em mente quando disse aos seus discípulos que permanecessem em Jerusalém até que do alto fossem revestidos de poder?

Na minha opinião, Ele esperava que tudo quanto Ele havia dito antes acerca de como se deveria proceder, de cidade em cidade, fosse, agora, não mais treinado, como antes Ele os fizera experimentar - Mateus e Lucas narram esse eventos preparatórios - mas sim, que agora, tudo aquilo fosse vivido como uma ação contínua, num fluxo ininterrupto, num vai e vem constante, e como um poder que nunca tivesse um trono, nem uma cidade santa, nem um vaticano, nem um centro de poder.

Tudo o que Jesus queria era que os discípulos continuassem discípulos e que os apóstolos fossem os servos de todos; sem haver nem alguém maior, e, muito menos, um lugar mais santo ou um centro de poder.

Eu vejo Paulo sendo acusado de ter criado o cristianismo. Que terrível acusação!

Não, não acusem Paulo disso. Pode-se dizer que dele vieram as elaborações e as conclusões “teológicas” acerca do significado daquilo que entre eles havia acontecido como fato histórico, mas que não tinha ainda tido sua síntese reflexiva e aplicativa feita por ninguém antes. Os apóstolos pregavam a salvação no nome de Jesus, mas não sabiam das implicações mais profundas da fé nem tampouco acerca da desconstrução religiosa que tal fé, sendo discernida, provocaria.

Acusem sim os “pais da igreja” e seus “mestres” de haverem feito doutrinas sobre as afirmações de Paulo, e de terem usado suas revelações acerca do “mistério antes oculto, agora, porém, revelado de uma vez por todas”, em um pacote de doutrinas, e que vieram a moldar o pensar do cristianismo, embora, a prática religiosa posterior dos cristãos, seja tão somente filha do casamento da igreja de Jerusalém com as autoridades do templo e com o legalismo dos fariseus “convertidos à fé”.

Jesus esperava que o poder do Espírito os fizesse sair em desassombro pelo mundo, pregando a Palavra da Boa Nova, ensinando singelamente os discípulos a serem de Jesus em suas próprias casas e culturas. Desse modo, se teria sempre um movimento hebreu, crescente, progressivo, livre, levado pelo vento, guiado pelo Espírito, e completamente semelhante ao que eles haviam vivido com Jesus durante o Caminho, naqueles três anos de estrada que construíram o Evangelho ao ar livre, nas praias da Galiléia, nos desertos da Judéia, nas passagens por Samaria, nas terras de Decápolis e nas regiões onde os cachorrinhos, debaixo da mesa, aguardavam as migalhas que poderiam saciar a fome de toda a terra.

Alguém, com razão, diria que tal projeto não seria possível, visto que ninguém consegue viver sem um centro de poder. Entretanto, parece que ainda não se discerniu que o convite de Jesus é contrário a toda lógica de poder e não propõe nada que não seja Hoje, e que não obriga a ninguém a pavimentar o futuro de Deus na Terra mediante a construção de algo duradouro.

Para Jesus o algo duradouro era justamente aquilo que não se poderia pegar, nem fixar, nem pontuar, nem ser objeto de vistas turísticas, dada a sua impermanência num chão marcado pelas urinas dos mandões. Ele esperava que os discípulos fossem como o Mestre, e que aqueles anos de Caminho não ficassem cristalizados nas páginas dos registros dos evangelhos, mas que se tornassem um modo de ser de seus discípulos.

Jesus não era pragmático. Se o fosse, teria logo se mudado para Roma, ou teria aceitado o convite dos gregos, conforme João 12. Se Jesus fosse pragmático jamais teríamos o Evangelho. Isso porque o Evangelho propõe o Caminho Inviável, e que só se faz possível quando os homens são capazes de esquecer todas as suas formas de controle e poder.

O poder dos discípulos, paradoxalmente, está em não ter poder. E o convite para que se morra a fim que se tenha vida, é também valido para a igreja, que, ao contrário do discípulo, quer mandar na vida e controlar os homens e o mundo. Assim, pretendendo salvar a sua vida neste mundo, a igreja não só perde a sua própria vida, mas deixa de ganhar o mundo.

O que Jesus queria era uma multidão de seres-sal-e-luz se espalhando pela terra, e, se diluindo em sabores e luzes que só seriam sentidas, mas não pontuadas, jamais se tornando uma Salina ou uma Usina de luz cristã, a serem visitadas pelos curiosos.

O reino é como o fermento escondido. Até que pervade toda a massa da humanidade, sem ninguém saber como e sem que ninguém possa dar glória a mais ninguém, se não ao Pai que está nos céus.

Aliás, a proposta de Jesus é tão pouco pragmática, que a vontade de aparecer não pode resisti-la. O sal, por exemplo, foi usado por Jesus como metáfora desse desaparecimento da igreja na terra. Tudo ao que Ele associa a metáfora do sal é ao sabor, e nada mais. O sal tem que ter sabor, se não já não presta para nada. E para que o sal salgue e dê sabor, de fato, ele tem que se dissolver nos elementos que recebem o seu benefício. O sal só salga quando morre como sal visível e se torna apenas gosto, presença, realidade, inescusável benefício, embora ninguém possa dizer onde ele está, podendo apenas dizer: ele está na panela. Mas onde?

Já a Luz do mundo—vós sois!—, deveria ser a ação contínua da bondade e da misericórdia, de modo completamente discreto, porém pleno de efetividade; de tal modo que os “de fora” é que ao receberem os benefícios da luz, discirnam-na como boas obras, e, assim, eles mesmos, agradeçam a Deus pelos filhos da misericórdia que Ele espalhou pela terra.

O que Jesus propõe como simplicidade total, entretanto, logo deu lugar às complexidades regimentais e aos centros de poder. Mesmo dizendo “tal não é entre vós” - referindo ao poder de governar dos reis e autoridades - o que se criou desde bem logo foi aquilo que era comum, não o que era completamente incomum.

“O meu reino, agora, não é deste mundo”, os fez pensar que aquele “agora” já havia passado, e que, “agora”, eles estavam livres para facilitar as coisas; ou seja: para complexificá-las, conforme os governos da terra, deixando de lado a leveza do caminho, e o verdadeiro espírito hebreu - andarilho, cruzador de fronteiras - e que havia sido também encarnado em Jesus.

O que estou dizendo? Que nada valeu a pena? É claro que não! O que estou dizendo é que o mundo ainda não acabou, e que a cada nova geração os discípulos de Jesus têm, outra vez, a chance de viver o Evangelho, simples e puro, leve e livre, dissolvido em sabores sentidos, mas sem sede física de poder, sem qualquer mandão entre nós; e que a luz do mundo pode ainda brilhar no mundo, não como uma ação da igreja, mas como fruto da bondade justa e misericordiosa de cada discípulo que não queira ser um agente da igreja, mas apenas um filho do amor de Deus solto nesta terra.

E não nos reuniremos mais?—é a pergunta angustiada de alguns.

É claro que nos reuniremos sempre. Mas tais encontros não visariam centralizar as forças e organizar as ações de poder, mas apenas renovar as alegrias da fé e da esperança, fortalecer o amor, e devolver as pessoas à vida com a simplicidade do sal e da luz. Ou seja: com sabor e boas obras.

Eu sei que parece loucura para alguns, mas não nasci ontem. Conheço os mecanismos de poder dos quais a “igreja” se alimenta. E também sei que apenas um punhado mínimo de pessoas tem a coragem que o Evangelho do reino demanda que é a coragem para abrir mão do poder e para liderar pela simplicidade, sem trono a nos acolher em honras.

Quem, no entanto, tiver tal coragem da simplicidade, esse conhecerá o significado de ser discípulo de Jesus no reino deste mundo, e que é o poder que nasce da fraqueza - que, aliás, é o único poder que Jesus quer ver sendo vivido pelos Seus discípulos.


"... CADA UM VEJA COMO EDIFICA,
PORQUE NINGUÉM PODE LANÇAR OUTRO FUNDAMENTO,
ALÉM DO QUE FOI POSTO, O QUAL É JESUS CRISTO".
(1Co3.10b.11)

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Amigo blogueiro é tudo de bom!


(Clique no subtítulo acima para entender)



Não tem jeito, eu quero dar um tempo em comentários mas não posso JAMAIS deixar de interagir com essa gente tão querida. Até porque é impressionante o quanto acrescenta e enriquece cada comentário desses e ainda a amizade que rola naturalmente, pois uns já se tornaram amigos tão legais que nos correspondemos por e-mail, quem sabe logo por telefone e depois pessoalmente. Enfim, distâncias geográficas à parte, a amizade vai ser a mesma.

Então, lá vai:

, minha linda: que bom que você percebe que é esse bom humor em meio às tempestades que faz toda a diferença. Bom humor que contagia como alegria no Espírito Santo! O que é bem diferente de cinismo, ironia e deboche.

René, pastor disfarçado de amigo: euzinha beeeeem sei que você também sabe que esse bate papo em um "local" diferente do nosso umbigo é tão claro e lúcido, que só mesmo quem passa sabe definir.

Dri, minha sacerdotisa preferida: também só vejo crescimento assim. Sair da rotina e se permitir mudar, palavras-chave.

Casal 20, meus quase sobrinhos: não que essa paradinha em águas térmicas também não leve a reflexões... (inveja santa rss)

Pastor Alan, meu mais novo amigo: que alegria uma "vêizinha" na vida um comentário seu! rss Não fui euzinha mas é pior do que ter sido, pois dor no filho é dor em dobro na mãe. E ele escreve sim, escreve muuuuuito bem (mãe coruja é fogo!) e deve estar "no sangue", pois o avô materno dele escrevia muito bem, a avó materna então, nem se fala! E o avô paterno, embora não escrevesse, era muito culto e de um fino senso de humor.

J.C., conselheiro, pastor e amigo: como eu disse ao pastor Alan, não foi em mim, mas sofri junto. E ele já teve blog, sim, só que enjoou rápido. Este texto acima foi euzinha fuçando meu computador fixo rss e achei alguns arquivos antigos dele (abafa!) e aí escolhi este como que para amenizar a saudade que sinto dele, já que ele está passando uma temporada na casa da avó paterna. Sou uma boba, pois nesse mesmo momento em que escolhia qual seria o texto mais bonito (mãe coruja é fogo, parte II) ria e chorava com fotos de eventos em família.

Enfim, de vez em quando mãe de filhos adultos se pega nessa de "ai, meus filhinhos tão lindinhos, cresceram tão rápido, snif..." (Abafa, parteII)

Esses dias estarei postando textos de outros porque ando atarefada. Além de estar escrevendo dois livros simultaneamente (retomei pela milésima vez) ainda estarei recebendo por uma semana, uma irmã com marido e filho, que morou longo tempo em Sampa e tá de vorta.

Portanto, não reparem, se por acaso eu fugir um pouco do hábito da verborragia, como diz minha mais nova amiga de infância, a Dri.

Amo vocês de montão. Os aqui citados por "fazerem parte" do texto anterior e muitos outros. Até os mais chatinhos e contraditórios he he

Beijos mil!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Quebrei meu pé


Quebrei meu pé na quarta passada.
Minha perna direita falhou no momento em que eu descia a escada do cursinho que faço à noite. Foi um baque grande. A escada é daquelas em zig zag, que desce metade indo metade vindo. Na primeira metade da descida eu torci o tornozelo e fui rolando e tentando me segurar de qualquer forma. Parecia uma aranha. Na segunda parte da escada, chegando ao térreo, consegui me equilibrar e fui disfarçando para uma galera que quase viu a cena típica de vídeo cacetada. Mas eles ouviram.
Um senhor - zelador do prédio – aproximou-se e me perguntou se eu estava bem. Eu, morrendo de vergonha e tentando esconder a dor, respondi que não tinha sido nada. Por dentro eu berrava dez vezes mais alto do que o grito que dei quando o Sport foi campeão da copa do Brasil de 2008. Dois ou três curiosos ficavam olhando, sem saber se riam ou se me perguntavam se estava tudo legal.
Minha sorte é que não foi no intervalo. Todas as turmas estavam no meio da primeira aula. Passou batido. Eu saí daquela área caminhando normal, com uma dor da “pilôra”, mas num momento artístico até então desconhecido por mim, interpretando um personagem fisicamente são. Quando dobrei lá na frente saí mancando no estilo 29, 30, 29, 30, 29, 30.
Dia seguinte: médico. Cinco dias sem pisar no chão, em consequência, sem sair do quarto.  Fratura na diáfise da fíbula na sua porção proximal encoberta pelos músculos peroneiros até o seu 1/3 distal, palpável como o maléolo lateral (vi no Google).
Primeiro dia, pensei: Uns dias de folga são sempre bem vindos. MSN, filmes, acordar tarde, dormir à tarde, e por aí vai. No segundo dia comecei a ver como o mundo gira rápido. Ninguém tem tempo para nada. Uns vem, outros vão. Estão todos ocupados. Menos eu. A vida é uma loucura! Fui para o MSN, “impregnar” um pouquinho. Até ali encontro ocupados! Tem uma turma que entra no MSN, mas com o status de ‘ocupado’. Não sei para que entrar.
Ao findar o dia aqui em casa todos se retiraram para os seus devidos quartos, mas eu, sem um pingo de sono, fico feito “siri na lata”. Energia acumulada. Neste dia fui dormir umas quatro horas da manhã, sem fazer nada. Tentei ler, estudar, mas não conseguia me concentrar. Vinha em um ritmo, uma velocidade louca e parei de repente. Entrei em um fuso doido.
Terceiro dia: barba já grande. A minha cresce um pouquinho aqui, um pouquinho ali. Fica esquisito. Mas não raspei, ficou uma beleza. Minha namorada – quase esposa – se assusta toda vez que olha. Deve pensar: o bichinho, já não basta o pé quebrado. To precisando cortar o cabelo também, mas só quando o médico liberar. Lembro-me de outra vez que tive que ficar mais tempo em casa - cirurgia no joelho - um amigo que estava começando no ramo de cabeleireiro se ofereceu para cortar o meu cabelo, que já estava parecendo com o de Bob Marley. Quando ele terminou ficou parecendo o de Bob Esponja, tudo quadrado. Mas foi de coração. Dessa vez usarei um boné e quando puder irei ao salão. Nem gosto muito de cortar. No Exército o meu apelido era ‘cabeleira’.  Sempre atrasava na hora de cortar, ficava por último. Todos quase carecas e eu com aquela cabeleira, segurando até receber uma bronca.
Quarto dia: não aguentava mais olhar para o computador nem para a TV. Sentei em uma cadeira com rodinhas e fui empurrando com o “pé bom” até a cozinha. Abri a porta da geladeira por uns segundos, só para pensar. Depois voltei para o quarto. Como os detalhes são importantes. Passei o resto do dia mais animado com esta saída.
Tenho muitos amigos – eu acho – mas não recebi nenhuma visita. Os afazeres são muitos por aí. Nem parentes apareceram. Recebi algumas ligações, alguns deixaram recados no MSN. Não tenho Orkut, mas se tivesse seriam scraps. A minha namorada tem me dado a maior força, e muitos beijos também. Mas a minha mãe tem o dom. Paciência sem fim. Aguentar doente não é mole. Quando alguém da família adoece ou é internada em um hospital ela logo se oferece para ajudar. Não conheço ninguém que faria isso melhor. Além dos bons conselhos, conversas descontraídas e construtivas, a sua atenção e amor dedicados não têm preço. Com os netos, o cuidado é o de uma mãe (até maior, às vezes).
Quando fui me adaptando ao ritmo mais lento da vida de licenciado comecei a ter boas ideias; pensar com calma sobre muita coisa que acredito, coisas que fazem meu coração arder. Pedi ajuda de Deus e fui atendido. Descobri novos projetos, que são viáveis e que cabem na minha realidade, contatei algumas pessoas, acertei algumas coisas.
No meio da tempestade encontrei um propósito. Meu coração está cheio de alegria. Então aí vai um conselho: entre no ritmo, peça ajuda a Deus, tenha paciência e encha o seu coração de alegria.
Escrito há mais de dois anos por meu filho, Leonardo A.F.Rocha

Jr, Leo, Rico e Beto, meus filhotes, meu tesouro

Big Brother



O irmão do filho pródigo (Lc 15:25.32) é pior que o que pediu sua parte da herança e gastou tudo com as meretrizes. Ele é um cara frio, insensível, desprovido de amor e qualquer outro tipo de afeto. Prende-se ao cumprimento de obrigações, tem uma conduta irrepreensível aos olhos humanos, mora na casa de seu pai mas não tem nenhuma intimidade com aqueles que lá habitam; nem com seu velho, muito menos com seus irmãos.

Sobre seu pai, ele o considera um patrão bunda mole. Não o ama nem permite ser amado por ele. O mantém numa distância segura e certamente possui uma agendinha para poder anotar tudo o que acontece e que ele considera contra si para depois poder cobrá-lo na Justiça do Trabalho celestial. É um poço de amarguras e não consegue aceitar seu pai agir de forma diferente da que ele agiria. Antes seu pai agisse como ele, pois dessa forma seu irmão pagaria um alto preço por sua irresponsabilidade.

Ele prefere ficar o dia inteiro fora trabalhando do que “perder algum tempo” em comunhão com o pai e seu irmão. Quando está em casa, pode até sentar-se à mesa com eles, mas age como se estivesse em um restaurante qualquer na hora de pico, sentado ao lado de estranhos. Engole sua refeição, tira o prato e vai embora sem trocar uma palavra. Intrigados, pai e o outro irmão, o que sempre pisa na bola mas tem uma relação mais íntima que até permitiu o doidão da família pedir sua parte da grana de seu pai, trocam olhares confusos, tipo “por quê ele é assim tão carrancudo?”

Em tudo ele é invejoso. Não consegue lidar com o temperamento de seu pai, que para ele protege o irmão caçula. Sua amargura só cresce, dia após dia, ate o momento que seu irmão cai no mundo e ele silenciosamente se sente vitorioso por ver que aquele pirralho havia pisado na bola com seu pai. Em sua cabeça passou, mas certamente não falou para seu pai, que todas as suas percepções em relação ao seu irmão estavam certas. Desejou que ele morresse em terras estrangeiras, desejou que seu pai sofresse eternamente a perda de seu irmão, visando com isso manter sua posição de intocável, de perfeitinho, de fariseu dentro de casa.

No bendito dia que caiu a ficha de seu irmão, que estava pior que a mosca pousada no cocô do cavalo do bandido, e este resolveu voltar para casa de seu pai, mesmo que fosse para ser apenas um empregado a mais nas terras de seu pai, seu irmão chegou em casa e viu a festa armada. Questionou um dos servos de seu pai a respeito de toda aquela festança e recebeu a notícia do retorno do safado de seu irmão como uma punhalada nas costas.

Ele recusou-se a participar da alegria de seu pai, abriu sua agenda de anotações e cuspiu na cara de seu pai que ele nem deveria ter recebido aquele ingrato. Reclamou que todos os dias estava ao lado de seu pai, mas este nunca oferecera nem um ovo cozido para ele dividir com seus amigos, mas seu pai amavelmente o repreendeu dizendo que dentro de sua casa todos tinham o direito de abrir a geladeira, pegar de sua cerveja, sentar em sua poltrona, ler seu jornal, usar suas roupas, fazer churrasco com os amigos mas ele nunca usara deste direito.

E ele não fez isso por não ter tido oportunidade de ter comunhão. Pior ainda: Ele não o fez para poder jogar na cara de seu pai. Estranhamente dentro mas com o coração fora. Coração amargo, duro como uma pedra, cheio de malícia mas hermeticamente protegido debaixo de sua armadura de hipocrisia e falsa santidade.

O irmão do filho pródigo pode ser comparado ao fariseu no templo que se gabava na presença de Deus de sua conduta irrepreensível. Já seu irmão se chegou a seu pai como o publicano que tinha a visão correta de seu ser, um mísero pecador.

Agora vamos reconhecer quem são os irmãos dos filhos pródigos...

O irmão do filho pródigo se senta ao seu lado no banco da igreja. Possivelmente ele frequenta a mesma igreja que você desde que estava na barriga de sua mãe, ou talvez até antes, entre os milhões de espermatozóides de seu pai. Ou então se converteu e se tornou orgulhoso de sua recém conquistada santidade farisaica. Mas uma coisa é certa: Não importando o tempo de igreja, ele nunca se converteu e se incomoda profundamente quando um escória da sociedade vai à frente aos prantos receber a oração do pastor, confessa e se arrepende de seus pecados e passa a ser contado entre os filhos de Deus. Por isso que - na hora do apelo para se arrepender e ir a frente - ele pega sua bíblia gigantesca e sai da igreja, na contramão daqueles que vão à frente, passando uma imagem péssima do "amor" que aqueles recém adotados irmãos receberão na igreja...

Não querem e não são capazes de aceitar que seu Pai aceita gente que em seu conceito são piores que (aos seus próprios olhos) eles. Na verdade querem, em seus corações, que desça fogo dos céus para consumir estes pecadores antes que se convertam, assim como Tiago e João desejaram orar ao Pai para que assim fosse feito. Sentem um prazer mórbido ao saber que aconteceu um tsunami num país que confessa uma fé diferente da sua, um desabamento num terreiro de macumba ou numa igreja que professe uma fé ligeiramente diferente da que ele professa, tem orgasmos múltiplos quando um avião bate na serra e ceifa a vida de jovens músicos que fazem piadinhas com quase tudo em suas letras, dizendo que aquilo foi DEUS. Sim, para eles foi Deus que pôs a mão e acabou com a vida daqueles safados!

"Mais pior que o pior": Ele pode ser você, que se garante no pacotinho de regras fielmente cumprido, na aparência externa irrepreensível, na amizade com o pastor, no tempo de casa ou em qualquer outro trapo de imundícia.

Não sabemos o final da parábola contada por Jesus, não sabemos se ele morreu sem arrependimento ou as doces palavras de seu pai o convenceram e o desarmaram. Isso deve servir de alerta para todos os que se consideram perfeitos. Estes são os piores pois são os super santos que se garantem em suas obras da carne, desprovidas de graça, misericórdia, perdão, amor...



Afanei lá do blog do PASTOR JOÃO

(Título e grifos meus, pra não perder o costume rss- RF) 


terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Riqueza - Bênção ou Maldição?



“Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu,
como bons despenseiros da multiforme graça de Deus”.
(1Pe 4.10)


Riqueza material é dada à humanidade para ela exercer uma mordomia. Deus, o proprietário de todas as coisas, espera que seus filhos cuidem de suas possessões e as retornem para Ele. Às vezes, Deus resolve abençoar seus filhos com riqueza. Abraão, Isaque, Salomão e até mesmo Jó receberam riquezas como uma bênção de Deus e para o Seu louvor.

Disse o Senhor: Quem é, pois, o mordomo fiel e prudente, a quem o Senhor confiará os seus conservos para dar-lhes sustento a seu tempo? (Lc 12.42)

Dezesseis das trinta e nove parábolas de Jesus lidam com riquezas. Nas Escrituras, mais referências são feitas ao dinheiro do que à salvação. Jesus lidou com dinheiro porque dinheiro interessa às pessoas.

Riqueza material pode ser uma bênção ou uma maldição:

O poder da riqueza é sutil (1Tm 6.10)

A fonte da riqueza é segura (Mt 6:25.26)

A tentação da riqueza é gastá-la (Tg 4.3)

O propósito da riqueza é compartilhá-la (At 20.35)

Deus espera que seus filhos usem a riqueza que recebem Dele para abençoarem a outros e a levarem glória a Ele.

Jesus conta a parábola sobre um homem rico, cujo mordomo foi acusado de estar dissipando os bens de seu patrão. O homem mandou chamar o mordomo e disse-lhe:

- Preste contas de sua administração.

Embora o mordomo tenha sido capaz de agir com rapidez e esperteza para colocar tudo em ordem, Jesus usou essa história para ilustrar um ponto importante:

Quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco também é injusto no muito. (Lc 16.10)

Sejam quais forem os recursos que tenha de administrar – tempo, talento ou dinheiro – o mordomo deve esforçar-se para evitar o desperdício, maximizar o lucro e, acima de tudo, certificar-se de que o investimento está agradando a Deus.

O tempo deve ser usado com sabedoria.

Os talentos devem ser empregados para edificar os outros e glorificar a Deus.

O dinheiro deve ser gasto com cautela e dado com responsabilidade.

O que nos dá motivação para cumprir fielmente essas exigências é a profunda consciência de nossa responsabilidade pessoal perante Deus.

(Texto adaptado extraído da Bíblia da Mulher - EMC - SBB - pags 1285 e 1541)


"Pois nunca deixará de haver pobres na terra;
por isso, eu te ordeno:
livremente, abrirás a mão para o teu irmão,
para o necessitado, para o pobre na tua terra".
(Dt 15.11)




Textos correlatos:


                 

O AMOR que liberta...

Foto tirada em Canoa Quebrada-CE por Demóstenes Farias


"Não devem fazer de sua decisão pessoal de sofrer de modo masoquista um projeto de espiritualidade cristã..."   "O ideal evangélico de crente consagrado, fiel e santificado já foi em idos tempos, o viver sofrido "debaixo da graça"; os crentes se gabavam de estarem passando por lutas e provas; crente de vida boa era um crente duvidoso. hoje, o que demonstra que um crente é fiel e consagrado é o quanto ele é próspero... os tempos mudam".

Achei muito interessante este comentário acima em negrito, e, em vez de publicar como comentário do texto anterior a este, preferi trazer para dentro de um outro texto, por duas razões: primeiro, porque minhas colocações sempre foram em cima de ideias e jamais em relação à vida pessoal de quem quer que seja; e, segundo, porque me inquietou a alma para fazer mais uma abordagem em cima desse tema.

E essas breves palavras em negrito me atraíram porque, além de fugir completamente do assunto - já que o foco é a violência doméstica e não a prosperidade -  percebo nelas o reflexo pesado da religiosidade que muitos carregam na bagagem ao longo do caminho. Por meio de duas ou três linhas vi como é impressionante o número de pessoas inteligentes e estudiosas que escrevem sobre os mais diversos assuntos em seus blogs, PORÉM não conseguem atingir o que é de mais básico, mais simples, mais leve, para aplicar na sua vida cotidiana de forma saudável em todos os aspectos.

Prova flagrante de que se trata de um pedaço contido num todo é algo dito antes e que passou despercebido ao comentarista, se não por maldade, mas de repente, pelo embaçamento (com c cedilha) doutrinário:

"Mansidão... é a capacidade de não se deixar desviar do curso do caminho em razão das amarguras, hostilidades ou provocações de quem quer que seja". Aqui, o autor mostra que não está se posicionando contra uma vida piedosa. Nem sugerindo isso! Ele escreve exatamente sobre o que venha a ser uma verdadeira vida piedosa e o que é um engano comum no qual as pessoas têm caído, confundindo uma coisa e outra. Ele não está dizendo nada diferente do que o próprio Paulo já havia dito: "Foste chamado, sendo escravo? Não te preocupes com isso; mas, se ainda podes tornar-te livre, aproveita a oportunidade" (ICo 7:21).

A minha tristeza é que muitos que se dizem fora dos grilhões de sua formação religiosa, continuam sofrendo confusos e apegados a crendices marteladas em suas mentes como mantra. Uma espécie de lavagem cerebral ao longo de toda uma vida onde crente salvo e abençoado era aquele que passava por lutas e provas; imprimiram na mente do crente que crente de vida boa era um crente duvidoso. E a lavagem cerebral foi tão violenta, que ainda hoje, estes que se dizem libertos das amarras, ainda põem isso em dúvida. Estes, que juram não acreditar mais na literalidade bíblica e que se dizem livres, estão presos a um passado doutrinário tão perverso e de maneira tão terrível, que não percebem que continuam agindo/vivendo/respirando/transpirando/ conforme os moldes religiosos em que foram criados.

Falo isso porque pegar justamente um fragmento de um texto abrangente e dali fazer uma crítica amarga e tendenciosa é bem característico desse perfil religioso massacrante. Ironicamente, essas são as mesmas pessoas que criticam hoje o que lhes foi ensinado como obrigatório se quisessem ganhar o Céu como prêmio. Doutrina herdada do catolicismo onde rico não entra no céu e pobre que sofre calado é que é “o cara” diante de Deus.

Gente, que teoria mais simplista é essa?! Tanto rico que sofre e tanto pobre feliz por aí... Tanto pobre cheio de raiva dentro de si e tanto “próspero” livre em sua própria alma.

Sofrer de modo masoquista é redundantemente doentio e nada tem a ver com vida espiritual. Submeter-se aos maus tratos de um marido perverso usando doutrina religiosa não tem nada a ver com espiritualidade. Esse “sofrimento” não representa luta e “prova”, pelo contrário, oprime, e diminui a mulher, ou seja não promove qualquer edificação. Ao contrário, provoca sérios danos à psique e consequente comportamento desvirtuado que vai refletir em todas as ações do cotidiano.

A religião é tão perniciosa que nos coloca em determinado lugar de culto, nos conduz à igreja (local, espaço físico) como se nossa vida espiritual não estivesse atrelada à nossa vida existencial. Deus já alertava, por meio dos profetas, acerca dessa suposta garantia de vida piedosa, de bênção, de separação, que se recebe no espaço físico denominacional, esclarecendo que a garantia está na mudança interior. Ou seja, nada de novo há!!!

Eu vivi praticamente a vida inteira em meio a bajuladores, o que me rendeu alguma experiência para distinguir os tipos de pessoas que me cercam, desenvolvendo uma lucidez muito grande para me ligar em certas exterioridades e não me deixar impressionar por elas.

Por exemplo:

Tem muita gente de posses, rica e influente que tem humildade e vida solidária; tem também muita gente pobre que vive dentro da igreja, chorando suas "provas" com ares de simplicidade MAS com o coração cheio de arrogância, recalques e complexos que culminam em raiva, inveja e ressentimento. E humildade, para mim, é antes de tudo abertura para ser criticado, sem ter absolutamente nada a ver com situação sócio-econômica.

Há uma ilusão e um equívoco perigoso acerca do sentido de “simples”. A própria bíblia trata do termo em situações diferentes onde simples pode ser o tolo e ingênuo. E Deus não quer que sejamos nem uma coisa nem outra, não por ele ser um neurótico regulador, mas porque em sua imensa sabedoria Ele nos alerta para os perigos que corre aquele que é “simples”.

Veja o que o autor de Provérbios (1.22) diz sobre esse estado psicológico:

“Até quando, ó simples, (néscios) amareis a simplicidade (necedade)? E vós escarnecedores, desejareis o escárnio? E vós insensatos, (loucos) odiareis (aborrecereis) o conhecimento?”

O Livro da Sabedoria nos diz que o avisado vê o mal e se esconde enquanto que o simples passa e sofre a pena. E sofre sem nem saber o porquê. Afinal, ele não consegue raciocinar, já que sua credulidade obstrui a sensatez. Parafraseando um pregador que eu conheço, o simples paga o pato por ser crédulo.

Muitos alegam que Jesus coloca a simplicidade da pomba como referência para o verdadeiro crente, mas aí já tem outra conotação pois na antiga cultura do Oriente Próximo, "essa ave personificava a inocência e a pureza". E veja só a sabedoria de Jesus em desejar vida saudável para nós, colocando o equilíbrio perfeito nessa dobradinha: a pureza da pomba e a prudência da serpente! (Ele não disse "a lerdeza da pomba e a malícia da cobra")

A partir do Evangelho, não existe nenhuma garantia de justificação por esforço pessoal. Principalmente quando esse esforço pessoal é ligado à neurose de sofrer humilhação por parte de outro como garantia de vida eterna. Ora, Deus não quer esse tipo de vida para seu povo. Ele diz que seu povo sofre MAS por falta de entendimento. Isso de “servir a Deus” por meio de normas esquizofrênicas e dentro de um aquário limitado é a maior cilada e o maior estímulo à hipocrisia, ao cinismo e à passividade mórbida. Jesus já alertava sobre isso! Aliás, as únicas vezes em que ele se irritava era quando tratavam de religiosidades e suas regras como bênção e salvação e suprimiam o direito de uma vida digna.

Como diz o final do fragmento acima, os tempos mudam...

Mas o Deus do AMOR que liberta, que quebra todas as regras religiosas, é IMUTÁVEL.

Portanto... Faça suas escolhas! Sem medo de ser feliz!





segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Mansidão, passividade e escolhas



Ser manso é andar conforme o espírito de Jesus, segundo o Evangelho.

Quem quiser saber como é ser qualquer coisa, olhe para o modo de Jesus ser, no Seu trato com as pessoas.

No caso Dele, mansidão nada tem a ver com passividade nem tampouco com incapacidade de responder e reagir.

Mansidão, em Jesus, é senso de propriedade.

E mais: é a capacidade de não se deixar desviar do curso do caminho em razão das amarguras, hostilidades ou provocações de quem quer que seja.

No casamento dos crentes parece ser o único lugar onde mulher não tem que ter respeito próprio ou dignidade.

Ou seja: se a pessoa quer ficar com um marido porque quer ficar, que fique, mesmo que apanhe, mesmo que seja estuprada, mesmo que seja aviltada todos os dias. É uma decisão pessoal, ainda que adoecida.

No entanto, tais pessoas não devem fazer pelo menos duas coisas:

1ª Não devem fazer de sua decisão pessoal de sofrer de modo masoquista um projeto de espiritualidade cristã, e, muito menos, uma questão de obediência a Deus para outros.

2ª Não devem ficar reclamando da situação, e nem enchendo o saco dos outros com a mesma e infindável história.

Para os evangélicos, há apenas alguns pecados, todos de natureza objetiva e comportamental. O campeão no Ibope é o Adultério, seguido de Idolatria de Objetos. O resto, os evangélicos, mesmo andando em “justiça-própria”, acham que dão jeito.

Desse modo, o “palavrão”, por exemplo, não é palavrão como “palavra-em-si”, mas tão somente como energia associada àquela “palavra”.

Assim, há muitas pessoas que falam o palavrão, mas não ofendem, visto que o palavrão, para elas, é apenas um modo de dizer, mas nem sempre é falado significando a ofensa do “palavrão”.

Eu ouço muitos palavrões em “igreja” e que são ditos mediante expressões de piedade, mas são energeticamente verdadeiros palavrões.

Exemplo: “Meu amado” pode ser dito com todas as energias, inclusive de ódio e rancor, como muitas vezes acontece. Falou-se um palavrão? Não! Vazou-se um palavrão disfarçado de “meu amado”.

Ora, estou dizendo isso apenas para que você olhe não para as palavras, mas para as motivações, odores, sentimentos e energias com as quais você possa estar fazendo essas coisas.

E por quê?...

É que o que faz mal não é a conjunção de letras de uma dada palavra, mas sim o espírito com o qual aquela palavra é falada; ainda que seja um: “Ah, meu Deus!” — e que pode significar: “Seu idiota, saia de minha frente!”

Iras, invejas, fofocas, e rompantes de insulto, são coisas que abundam na alma evangélica, e que fazem muito mais mal do que muitos atos de infidelidade conjugal.

De fato, são essas pequenas coisas, que aos nossos olhos são bobas e pequenas, aquelas que mais corrompem as relações e a atitude das pessoas na vida.

Sim, elas são muito mais corrosivas para a alma do que se pode imaginar; sem dizer que alguém que não limpa o coração da energia dessas coisas, haverá de não apenas fazer mal aos outros, mas, com certeza, muito mal a si mesmo.

Alimentar o coração com tais energias ou mantê-las no coração com frequência, é o que o pode fazer mal a alma.

Portanto, mais importante do que o que você diz, é como você diz, acompanhado de que intenção interior; e se é animado por um espírito contrario ao espírito da graça, conforme o Evangelho.

Quanto a se Jesus, caso fosse mulher, ficaria ao lado de um homem maligno, paparicando a doença do sujeito, saiba: a gente sabe como Jesus trataria essa situação apenas olhando o modo como Ele tratou os que abusavam da alma do próximo: os fariseus e os lideres religiosos.

Jesus jamais deixaria uma mulher num buraco, apanhando, mesmo que o dia fosse sábado, e os fariseus todos dissessem que nada se deveria fazer.

Ele curou doentes e libertou oprimidos contra a opinião e o desejo dos homens “maridos despóticos”, e que amavam ver a impotência esperar até que eles dessem autorização de cura. Jesus, todavia, sistematicamente, os enfrentou; e tirou quem quer estivesse no “buraco”.

Ele, todavia, jamais violentaria quem quer que gostasse de apanhar.

Em Jesus, por mais que as coisas fossem estranhas, a gente percebe que Ele deu liberdade de escolha, de tal modo, que é opção de cada um decidir como quer existir.

Ninguém respeitou mais o direito à liberdade de escolha do que Jesus.


 

"Vem com Teu rio me inundar"




Escrevendo a Timóteo, na segunda carta, Paulo diz no capítulo 3 que nos últimos dias os homens, para além de qualquer outra coisa, perderiam o afeto natural. E afirma que a morte da afetividade faria perecer com ela a reverência e a honra a pai e mãe; o que traria a reboque um estado de desafetividade que acabaria por produzir uma sociedade global feita de homens e mulheres implacáveis, egoistas, narcisistas, amantes apenas de si mesmos, e incapazes de aprender - apreendendo a verdade no íntimo; o que gestaria almas em crescente estado de auto-indulgência e uma quase total incapacidade de amar.

Pois assim como em Jesus vai-se de glória em glória até a estatura do varão perfeito, no diabo se vai de desfiguração em desfiguração até ficarmos a cara de Satanás.

Ora, tudo isso combina com o que Jesus disse ao se referir a tais dias; pois Ele nos disse que naqueles dias os homens odiariam, trairiam, e matariam uns aos outros; e afirmou que os inimigos do homem seriam os de sua própria casa; completando com a afirmação que diz que por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriaria de quase todos.

Assim, com o diabo caído na Terra e com fome de morte; e com os homens se tornando semelhantes ao diabo e cada vez mais dês-semelhantes de Deus — o futuro dos humanos é sombrio!

Na realidade, como não se pode estudar as ações do diabo na Terra, posto que o próprio diabo está limitado ao “fornecimento” de material espiritual, moral e cultural que a humanidade lhe oferece, o que fica visível aos olhos não é o diabo no homem, mas sim o homem no diabo.

Sim, porque de fato o homem está virando diabo!

Cada vez mais o melhor modo de saber como é o diabo é olhando a humanidade. Isto porque o diabo (diabolus) é aquele que divide; e Satanás é aquele que se opõe; ou seja: é o adversário.

Ora, olhando para qualquer lugar da Terra e observando os humanos, tem-se que admitir que a humanidade existe cada vez mais em razão das divisões e das guerras de todas as formas e maneiras. Vivemos numa sociedade dividida e na qual o outro é o inimigo; e isso indo da religião, passando pelas relações humanas em geral - especialmente as que envolvem sexo, dinheiro e poder - e chegando ao mercado de trabalho, pois o concorrente já nem mesmo tem que ser vencido; ele tem que ser aniquilado.

Além disso, a morte da afetividade, do respeito aos mais velhos, da reverência aos pais, do amor dos pais pelos filhos, da fidelidade, da gentileza, das educações mais banais, da solidariedade, da honestidade, da dignidade pessoal, do respeito pela existência de qualquer que seja o próximo — foi o poder-ausência que criou essa humanidade da qual somos parte; e que é feita de diabos, quase em sua totalidade.

O espírito do diabo está tão presente e imanente na maioria das consciências humanas, e até naquilo que entre nós se chama de Direito, Justiça e Crença, que já não se deve praticar qualquer tipo de “batalha espiritual abstrata”, posto que os demônios estão andando ao nosso lado todos os dias, em todos os lugares; e não são espíritos invisíveis, mas cobertos de carne, pele e ossos. E muitas vezes travestidos até de cristãos.

A tragédia destes últimos dias é que a humanidade vai perdendo a “imagem e semelhança de Deus”; e, dia a dia, vai se tornando mais e mais parecida com o próprio diabo. E isso não é algo que deve ser dito apenas aos distantes e diferentes “de nós”.

Não! Isso deve ser dito a nós mesmos; e dentro de nossas próprias casas, famílias, igrejas e governos; e também a cada forma de expressão humana que nos cerca; pois, em quase todas elas, vemos sutilmente os humanos ficando a cara do diabo; e isso sem que o percebamos.

Basta ver o que existe em você. Sim, procure por amor, perdão, graça, misericórdia, compaixão, reverência, gentileza, bondade, alegria simples, e também pela fé que opera pelo amor - sim, dentro de seu coração busque tais coisas. E, não achando tais coisas enraizadas em você, olhe para os céus e peça misericórdia a Deus! E isso, a fim de que você e eu não sejamos tragados pelo bafo do inferno que seca a umidade do amor no chão da alma humana.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Toque de amor



"Se eu apenas lhe tocar as vestes..." - gemia certa mulher.

Diante daquele toque especial sentido apenas por Jesus, que se volta e pergunta "Quem me tocou?" a resposta não podia ser com outra pergunta intrigante do tipo: "Como assim?!"

Ora, a questão é que Jesus nos vê de forma individual, daí a perplexidade dos discípulos diante de tanta gente que se apertava.

Abrindo caminho no meio da multidão, aquela mulher que sofria de hemorragia contínua durante doze anos tocou a orla da túnica de Jesus... E foi curada! O detalhe é que a mulher não foi curada apenas na doença física. Por aproximar-se de modo "diferente" ela teve um encontro pessoal com Jesus a quem a chamou de filha!

Esse encontro pessoal é algo impressionante! Houve um contato e apenas os dois sabiam acerca deste. E Jesus não se moveria dali enquanto não se aproximasse aquela que o procurou. Ele sabia de sua adoração em potencial, mas foi ela quem O procurou. A iniciativa foi dela. Ele, por sua vez, diria: para tudo, daqui não saio enquanto não concluir a tarefa! Então Ele deu atenção exclusiva àquela que se prostrou, dizendo: a tua fé te salvou; vai-te em paz e fica livre do teu mal.

Acho simplesmente incrível esse "pacote": A salvação pela fé, a paz instalada pela cura. (cura - fica livre do teu mal)

Então Jesus rompe com doutrinas e costumes, dogmas, exigências e inflexibilidades (Em razão da urgência e da necessidade dessa mulher insignificante diante da sociedade e que nem nome tinha mas com certeza estava gravado no Livro da Vida). Pois, embora tocar e beijar fossem comuns nos tempos bíblicos, a lei levítica proibia muitas formas de toque. Um hebreu não podia tocar um animal impuro, uma mulher logo após ter dado à luz a um menino, um leproso ou uma mulher no período menstrual.  Principalmente os rabinos, não podiam tocar nem ser tocados em hipótese alguma, por alguém com sangramento.

Entretanto, motivado por um amor que transcendia à Lei, Jesus frequentemente tocava as pessoas. As Escrituras nos dizem que Ele tocou um leproso, os olhos de um cego, o corpo morto da filha de Jairo e a língua de um surdo-mudo. Quando se tratava de ajudar os outros, Ele não se preocupava com sua imagem ou bem-estar. Jesus também deixava que os outros O tocassem: uma "pecadora"  lavou e beijou seus pés e uma mulher com hemorragia tocou a orla de suas vestes!

Muitas vezes, Jesus curou e expressou sua compaixão por meio de toque, porque esse gesto transmite empatia, afeição, cura e aprovação. Por isso, as pessoas que já foram tocadas por Jesus precisam alcançar outros com o mesmo toque de amor. Esse amor nos motiva a responder amorosamente a outros numa demonstração de que somos capazes de amar porque fomos e somos amados por Deus.

Um amor que é bem mais que mero sentimento que "me faz sentir bem" mas que exige de mim atitudes práticas e que, por vezes, me tiram de minha zona de conforto.